sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Se Deus não existe, quem tem o direito de decidir de modo absoluto o que é bom e o que é mau?

Texto: Aurélien Lang

Tradução: Rouver Júnior


Um artigo que coloca a ponto visível a incoerência da lógica do ateu: pode-se decidir que um acontecimento é bom ou mau se Deus não existe?


"Se Deus não existe, quem tem o direito de decidir de maneira absoluta o que é bom e o que é mau?" Ninguém. E isto é verdadeiro! Como disse acertadamente Dostoievski em Os irmãos Karamázovi: "E então, que se tornará o homem sem Deus e sem a imortalidade? Tudo é permitido, por consequência, tudo é licito?": o desastre total! Ninguém tem nada a nos falar sobre nossa maneira de viver.


Não existe nenhum valor moral objetivo sem Deus

Com efeito, se não há Deus, então não existem regras objetivas que ditam o que é bom e o que é mau. Os valores morais são, assim, como os gostos e as cores; exatamente como opiniões de um indivíduo ou fruto de uma evolução sócio-biológica.

Por consequência, em um mundo sem Deus, quem tem o direito de dizer o que é bom e o que é mau? Quem tem o direito de julgar as atitudes de Hitler inferiores às do apóstolo Pedro? Dizer que isto é bom, isto é mau, perde todo o sentido em uma realidade sem Deus. Porque, dizer que alguma coisa é má porque é proibida por Deus é perfeitamente compreensível a quem crê em um Legislador divino. Mas afirmar que qualquer coisa é má, se realmente não houvesse Deus para proibir, seria incompreensível.

O conceito de uma obrigação moral, que existisse fora do indivíduo, é totalmente incompreensível sem a ideia de Deus. Em um mundo sem Deus, não há lei objetiva que dite o que é absolutamente mau e o que é absolutamente bom; não existe senão julgamentos pessoais ou culturais relativos. Isto traz a inferência lógica da impossibilidade de se condenar as guerras, as opressões e os crimes perversos, além de não se poder chamar a fraternidade, a igualdade e o amor de coisas boas. Quando o governo de um país massacra uma parte da população, é logicamente inconcebível dizer que suas atitudes são más. Se não fosse assim, em nome de quem, então? Não há, em um universo fechado, quem pudesse ditar ao homem o que é bom e o que é mau. Ninguém pode dizer a ninguém: "É verdadeiramente mau o que você faz."


A impossibilidade de viver sem valores morais objetivos

O problema fundamental, contudo, é que esta exigência - ninguém tem o direito de dizer de modo absoluto o que é bom ou mau - é existencialmente impossível de viver. Nós não podemos, segundo essa exigência, levantar a voz quando ficamos sabendo que crianças são violentadas por um pedófilo. Nós não podemos nos levantar quando vemos que uma ditadura decidiu colocar em prática um programa de exterminação de milhões de pessoas. É impossível! Nietzsche, ele mesmo que escrevia a necessidade de viver "Além do bem e do mal", rompeu sua amizade com o compositor Richard Wagner quando este tornou-se antissemita. Também, Jean-Paul Sartre declarou após a Segunda Guerra Mundial que uma doutrina que leva à exterminação não é simplesmente uma atividade do gosto pessoal ou de opinião, de valor igual ao seu oposto. Esta exigência, segundo a qual não existe nenhum bem e nenhum mal absoluto, é impossível de viver.


O fracasso do ateísmo...

Vendo o fracasso do ateísmo nesse teste, como será que o cristianismo bíblico se comporta? O cristianismo descreve com uma desconcertante transparência a realidade. Com efeito, se Deus existe, é possível conhecer de modo absoluto o que é bom ou mau. Se há um Legislador divino, nós podemos explicar porque ficamos revoltados com as abominações cometidas na Segunda Guerra Mundial ou porque é inadmissível o abuso contra inocentes e a sua morte. Ao contrário, se Deus existe e é o Legislador, se é Ele quem determina o que é bom ou mau, eu aceito de fato que meu comportamento seja julgado por Deus? Nada mais coerente...

[link para o texto em francês http://www.questionsuivante.fr/verite_et_intolerance-110.html]

3 comentários:

Roberto Donizeti Soares disse...

Bom texto, embora eu creio que a moral não se fundamenta em Deus e sim no que a maioria das pessoas pensa ou pensou algum dia, de modo que mesmo num mundo sem Deus poderia haver moral, embora essa moral pudesse ser bem diferente das que temos e que tem ao menos um pingo de influencia cristã.

Rouver Júnior disse...

Roberto,

obrigado pelo comentário. Que Deus te abençoe.

Quanto ao que você disse, quero fazer algumas considerações.

1ª Se a moral não se fundamenta em Deus e sim na opinião da maioria das pessoas, a moral se caracteriza por ser subjetiva e não objetiva, porque depende da visão da maioria e não vale para todos.

2ª Se a moral é subjetiva, logo, cada indivíduo pode ter a sua própria moral, o que exclui o número, podendo um pequeno grupo e até mesmo um único indivíduo ter a sua moral.

3ª Outro tanto, sendo possível a cada indivíduo ter a sua moral própria e a maioria sendo formada por indivíduos, o número é excluído.

4ª Sendo o número excluído, tanto a maioria quanto os pequenos grupos podem ter sua própria moral.

5ª Se a moral é subjetiva e particular de cada indivíduo, não há conjunto de preceitos morais melhores do que outros.

6ª Se não há moral melhor do que outra, tudo é moral dependendo do que o indivíduo acredita.

7ª Sendo tudo moral e, logo, nada imoral, nada podemos dizer contra as atitudes de Hitler, visto ele estar agindo dentro de seus padrões de crença, dentro de sua moral particular.

8ª Conclui-se que as atitudes de Hitler foram morais e não tiveram nada de errado.

9ª Contudo, se todas as atitudes são morais e não há as imorais, então a noção de moralidade perde o valor. Assim, não há nada moral nem imoral.

10ª Conforme a visão de que não há nada objetivamente moral, a atitude de um pedófilo também não é objetivamente imoral, podendo ser imoral para uns e moral para outros, como para o próprio pedófilo.

11ª Há a partir de agora dois caminhos: ou se condena as atitudes de Hitler e dos pedófilos como imorais, acreditando-se que há uma moral objetiva, ou nega-se a moral objetiva e aceita-se como normais tais atitudes.

12ª Há, contudo, uma moral objetiva independente das opiniões.

13ª O "Não matarás" dos 10 mandamentos serve para todas as sociedades, em qualquer época, independente se a maioria aceita ou não.

14ª Havendo uma moral objetiva, logo absoluta, assim ela fundamenta-se em Deus.

15ª É claro que certas sociedades podem assumir conjuntos diferentes de preceitos que crêem ser morais, mas isso não quer dizer que a moral seja subjetiva, uma vez que pode ser diferente o que algo é do que pensam que ele é.

Roberto, mais uma vez obrigado. Esse assunto dá livros e livros e é bom que seja melhor exposto. Talvez eu poste um texto sobre o assunto futuramente.

Fica com Deus.

A paz do Senhor Jesus Cristo.

ps: leia a postagem "Uma refutação: Relativismo"

Roberto Donizeti Soares disse...

Eu creio sim que moral seja relativa.

Creio que o que não é relativo é a ética dos Evangelhos, mas a moral humana(não creio que o Evangelho ensine moral) é.

Talvez esse texto ajude a entender o que eu penso(ou não).

http://www.coladaweb.com/filosofia/moral.htm

Abraço.

www.robertosoares.com