terça-feira, 21 de abril de 2009

MST entrando na casa dos outros

I

"A fazenda, que pertence à Agropecuária Santa Bárbara, do Banco Opportunity, está ocupada desde fevereiro, em protesto que denuncia que a área é devoluta."

Esta afirmação pode ser encontrada no texto "Esclarecimentos sobre acontecimentos no Pará", publicado no site oficial do MST.

Os "Esclarecimentos" vieram por conta de acontecimentos noticiados pela rede Globo, que envolvem o grupo. A Globo informou que jornalistas foram feitos reféns e escudo humano, dentre os quais um integrante da TV Liberal, ligada à Globo. O MST, por sua vez, defende que foi vítima da violência dos seguranças. Seus integrantes (20) iam apenas pegar "lenha e palha" para repararem seus "barracos", quando tudo começou. Encontraram um funcionário da fazenda, contaram para ele o que estavam fazendo, o funcionário ofereceu-se para levar de caminhão as lenhas e palhas ao destino e mandou a "turma subir" (20 pessoas). O motorista avisou os seguranças da fazenda, que chegaram enquanto os sem-terra carregavam o carro. Os seguranças, armados, começaram a ameaçar os sem-terra. O "companheiro" Djalme Ferreira Silva foi obrigado a deitar-se no chão e depois preso e maltratado. Depois foi liberado. Etc. Sem palha e sem lenha, precisaram ir a outro lugar buscar o que já tinham preparado. Foram buscar palha e lenha. "Por isso, organizaram uma marcha e voltaram para retirar a palha e lenha, para demonstrar que não iam aceitar as ameaças."

Já na marcha, os marchantes pediram aos jornalistas para irem à frente para não atrapalhar. "Não havia a intenção de fazer os jornalistas de 'escudo humano'". A justificativa dada foi que os sem-terra não sabiam como seriam recebidos pelos seguranças, contudo, o texto do site do MST anteriormente diz: "os seguranças mandaram uma ameaça por Djalme: vão matar todas as lideranças do acampamento." Quer dizer, ficaram sabendo por Djalme, que havia sido preso e libertado, que os seguranças iriam matar os líderes sem-terra. Se isso fosse verdade, sem dúvida iriam esperando ser mal recebidos. Isto significa que a justificativa "Não havia a intenção de fazer os jornalistas de 'escudo humano', até porque os trabalhadores não sabiam como seriam recebidos pelos seguranças" não é válida. E, ainda, por que atrapalhariam se estivessem no meio do pessoal?

Quando os desarmados trabalhadores sem-terra, que portavam "apenas instrumentos e bandeiras do movimento", além de uma espingarda, chegaram à guarita dos seguranças, foram hostilizados com tiros. Etc.

Essa versão da história está de acordo com o texto do site do MST. Para mais informações, um estudo detalhado da situação é proveitoso. Contudo, quero deter-me, depois dessa história, apenas na afirmação da citação do início deste texto.

II

"A fazenda, que pertence à Agropecuária Santa Bárbara, do Banco Opportunity, está ocupada desde fevereiro, em protesto que denuncia que a área é devoluta."

A partir do trecho citado, não é difícil de entender que os donos legais da fazenda não são os sem-terra, mas a Agropecuária Santa Bárbara. Além disso, compreende-se também que há aproximadamente dois meses a fazenda foi invadida pelos integrantes do MST. Estes, que não são os donos, justificam sua invasão dizendo ser a fazenda uma área desocupada.

Destaco o seguinte: os sem-terra invadiram uma casa que não é deles, não compraram, nem construíram. Ficaram por volta de dois meses nela e entraram neste sábado (18/04) em conflito com os seguranças da fazenda. Houve tiroteio e feridos: segundo o site do MST foram 9 sem-terra feridos, sem menção ao segurança; segundo O Globo, foram 8 feridos: 7 sem-terra e 1 segurança. Dentre os integrantes do MST feridos, um, Valdecir Nunes Castro, se encontra em estado grave.

Agora, imagine que, de repente, alguém entrasse na tua casa afirmando que tem um cômodo ali inutilizado e por isso o teu dever é aceitá-lo. O que você faria? Aceitaria o intruso de bom grado, porque, afinal, você realmente não utiliza o cômodo, apesar de tê-lo comprado? Acho que se você pudesse reagir, o expulsaria de tua casa. "Ora, que cara folgado é esse que invade a minha casa! Não uso o cômodo, mas posso precisar de usá-lo e, além do mais, eu que o comprei, não ele."

Quando o MST invade propriedade alheia a situação é semelhante. Como os seguranças tinham armas, atiraram para se defender. Os invasores não eram os seguranças, mas os sem-terra. Aliás, estes contaram com a paciência de dois meses. Imagine isso na tua casa.

O que o MST faz é crime. Se apropriar de bens alheios sem consentimento dos donos é roubo, seja o dono um simples cidadão, seja um milionário. Se é milionário por meios ilícitos, como o roubo, um crime não justifica outro. Ladrão que rouba ladrão é ladrão também. Assim, sendo o dono da fazenda um rico honesto ou alguém enriquecido desonestamente (eu não o sei, nem conjecturo), não há justificativa para que alguém lhe roube as propriedades.

Desejo, enfim, que os feridos se recuperem, tanto Valdecir Nunes Castro, quanto todos os pertencentes ao MST e também o segurança, que fazia seu trabalho de defender a propriedade. A respeito dos feridos pertencentes ao MST, desejo que se recuperem e, após, saiam desse movimento criminoso e combatam-no, porque invasão de terra tem grandíssimas possibilidades de terminar em morte e o crime não compensa.

(Rouver Júnior)

Um comentário:

Vitor disse...

Qualquer demonstração da realidade que é esse grupo de marginais chamado MST é bem-vinda.

Parabéns!