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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

A descoberta das próprias convicções

A descoberta das próprias convicções é o processo pelo qual o indivíduo pensante enxerga as opiniões que são, em seu coração, realmente suas, aquelas que ele sente e vê com sinceridade serem as mais adequadas à realidade. Ele as distingue das demais opiniões circulantes e diz de si para si que é em tal opinião que de fato crê. Sua opinião não é necessariamente sua no sentido de ele ter sido a fonte única dela. Pode acontecer muito bem de tal opinião ter vindo de outras pessoas e grupos, mas é, porém, aquela que ele vê como mais fidedigna à verdade.

A descoberta das próprias convicções se dá a partir da investigação interior contínua, da sondagem dos próprios pensamentos, da crítica das idéias particulares, no oculto do coração. Tal sondagem usa como instrumento precípuo a palavra. É através dela que o sujeito dirá para si mesmo o que viu, viveu, sentiu e pensou, em suma, expressará a própria história pessoal e buscará a origem das suas idéias, perguntando-se "de onde elas vieram? de quem as recebi?" o que elucida muita coisa.

A expressão contínua da realidade desenvolve o senso da realidade, de modo que a pessoa, tendo tal realidade como referência, pesará a adequação de suas idéias, não se deixando levar por devaneios, histerias ou mentiras, que podem vir de si mesmo, da sociedade em geral ou de demagogos e aproveitadores tão numerosos nos dias de hoje.

O processo é lento e exige uma atividade de sondagem interior diária, contínua, dedicada, para que aos poucos cada idéia seja pesada, analisada, criticada e unificada com outras que se encontram dispersas pela alma. O trabalho de investigação das próprias convicções também implica a unificação do conhecimento e da consciência.

É importante descobrir as próprias convicções para saber o que realmente pensa e não ser guiado por idéias alheias de origens ignoradas, tomando as rédeas das próprias ações.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Palavra aberta

As palavras que falamos revelam muito do que somos. De fato, a maneira mais eficaz de conhecer uma pessoa é conversando com ela. A palavra é o espelho da alma: se sou inteligente ou néscio, sábio ou tolo, humilde ou arrogante, firme ou frágil, seguro ou inseguro, as minhas palavras testemunharão aos ouvidos dos que falam comigo. Se tenho medo, não falarei com coragem; se tenho coragem, não falarei com medo. Um dia triste é um dia de palavras tristes, um dia alegre, dia de verbos vibrantes. Não adianta querer dissimular, porque ainda que saiba manipular com grande destreza minhas palavras, estando bem ciente do que devo esconder, na minha própria dissimulação estará contido o sinal de como sou.

Se alguém quiser esconder quem é, não fale, porque até o tolo passa por sábio enquanto está calado. Mas se alguém se esconde na mudez, mostra para si mesmo que algo de errado tem em sua alma, porque, temendo, não querer mostrar para os outros o que acha que será reprovado é reprovar-se a si mesmo.

Seja a tua alma de maneira tal que possas conversar abertamente.

Rouver Júnior

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Foto extraída de http://lucianasabbag.files.wordpress.com/2009/02/sorriso.jpg

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Pensamento Comentado: Provérbio Árabe

Hoje comento um ditado árabe, que nos traz um grande e útil ensinamento.

"Não declares que as estrelas estão mortas só porque o céu está nublado."

As estrelas tornam um céu noturno muito mais belo, se nós o compararmos a um céu escuro e sem brilho. Tais estrelas são vistas apenas quando o tempo está favorável, mas, ainda que haja nuvens espessas, as estrelas continuam brilhando, embora longe de nossos olhos.

Quando o céu está nublado, com grossas nuvens, escuras e opacas, os nossos olhos são privados de ver a beleza e o brilho do céu. E, quando o ser humano fica por algum tempo sem ver alguma coisa, tende a esquecer-se dela, a pensar que não existe mais ou que nunca existiu. Contudo, seria um grande erro afirmar que as estrelas deixaram de existir somente porque eu as deixei de ver. Um dia as nuvens desaparecerão e as estrelas brilharão novamente esplendorosas.

Da mesma forma, quando tudo está evidentemente a nosso favor, temos esperança e vemos as coisas belas da vida, mas quando passamos por cinzentas aflições, que obstruem a nossa visão, tendemos a pensar que não há mais esperança e nem beleza na vida. Tudo está acabado. Mas esse pensamento é um grande erro, porque as esperançosas estrelas da vida continuam refugindo esplendorosas no céu, ainda que não as vemos.

Um dia as nuvens da aflição se dissipam e vão embora, e a alegria da esperança torna a raiar sobre os nossos olhos. O céu não mudou por causa das nuvens, apenas deixamos de vê-lo por alguns instantes. Assim, resta sempre uma esperança, ainda para a mais difícil das situações.

(leia o livro de Jó e você verá que, mesmo em meio a tantas dificuldades, o servo de Deus exclamou: "Eu sei que o meu Redentor vive").
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Pensamento extraído do site www.livrepensar.net
Imagem retirada do site www.nasa.gov através do rascunho-geo.blogspot.com

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Pensamento Comentado: Provérbio Chinês

Esta é a primeira postagem com um pensamento comentado. Como desejo, primeira de várias. Pretendo regularmente aqui no Páginas Incadernadas comentar alguma frase que traga idéias interessantes e produtivas. A primeira é um provérbio chinês.

"As mais altas torres começam no chão."Uma torre alta aparece imponentemente aos olhos de todos. Ela é sinal de engenho, esforço e perseverança, porque, para construí-la, necessita-se de muitos cálculos e planejamento, muita mão de obra lidando com serviços pesados; e, por fim, é preciso perseverante continuidade nos trabalhos, porque o labor se dá gradualmente e não todo de uma vez.

A torre simboliza, nesse contexto, uma vitória muito grande e visível perante os olhos de todos. Mas deve-se sempre lembrar que, para alcançá-la, foi necessário começar do mais simples e do mais básico, para enfim alçar grandes altitudes. Os estudos, o emprego, a família, o convívio social e tantos projetos de vida podem ser altas torres; mas deve-se sempre começar do que é mais básico, do que aos olhos de outras grandes torres já construídas parece insignificante.

Ainda, o provérbio dá margem também para a interpretação de que, por maior que seja a vitória alcançada na vida, as suas bases devem sempre ser cuidadas. Não se deve olhar para o topo e esquecer-se das bases, porque, se não se pode destruir uma torre pelo alto ou se isso é muito difícil de fazer, visto ser muito elevada, contudo, é possível e mais fácil pelo chão; e é sabido que muitas coisas minúsculas destroem coisas grandiosas pela insistência e pela astúcia.

Rouver Júnior
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O provérbio foi extraído do site www.livrepensar.net e a imagem do blog rafamaiax.blogspot.com. O edifício é o Burj Tower.