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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

A descoberta das próprias convicções

A descoberta das próprias convicções é o processo pelo qual o indivíduo pensante enxerga as opiniões que são, em seu coração, realmente suas, aquelas que ele sente e vê com sinceridade serem as mais adequadas à realidade. Ele as distingue das demais opiniões circulantes e diz de si para si que é em tal opinião que de fato crê. Sua opinião não é necessariamente sua no sentido de ele ter sido a fonte única dela. Pode acontecer muito bem de tal opinião ter vindo de outras pessoas e grupos, mas é, porém, aquela que ele vê como mais fidedigna à verdade.

A descoberta das próprias convicções se dá a partir da investigação interior contínua, da sondagem dos próprios pensamentos, da crítica das idéias particulares, no oculto do coração. Tal sondagem usa como instrumento precípuo a palavra. É através dela que o sujeito dirá para si mesmo o que viu, viveu, sentiu e pensou, em suma, expressará a própria história pessoal e buscará a origem das suas idéias, perguntando-se "de onde elas vieram? de quem as recebi?" o que elucida muita coisa.

A expressão contínua da realidade desenvolve o senso da realidade, de modo que a pessoa, tendo tal realidade como referência, pesará a adequação de suas idéias, não se deixando levar por devaneios, histerias ou mentiras, que podem vir de si mesmo, da sociedade em geral ou de demagogos e aproveitadores tão numerosos nos dias de hoje.

O processo é lento e exige uma atividade de sondagem interior diária, contínua, dedicada, para que aos poucos cada idéia seja pesada, analisada, criticada e unificada com outras que se encontram dispersas pela alma. O trabalho de investigação das próprias convicções também implica a unificação do conhecimento e da consciência.

É importante descobrir as próprias convicções para saber o que realmente pensa e não ser guiado por idéias alheias de origens ignoradas, tomando as rédeas das próprias ações.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Estou aprendendo que... a filosofia

Estou aprendendo que filosofar significa refletir e lutar no campo do real. Filosofia não é um conjunto de pensamentos utópicos e nem um especular sem fim e lúdico sobre idéias completamente abstratas. Responsabilidade e senso do real são necessários. Comparar sempre as proposições filosóficas com a realidade é uma regra de ouro, ainda que sejam em si perfeitamente lógicas, havendo sido deduzidas com perfeição rigorosa dos pressupostos dos quais partimos. É possível haver teorias formalmente perfeitas em seu desenvolvimento, mas totalmente irreais. No vídeo a seguir, Bernard-Henri Lévy, filósofo francófono nascido na Argélia, discursa sobre alguns assuntos e nos traz uma concepção muito sólida sobre a arte filosófica. Aliás, a frase "L'art de la philosophie ne vaut que s'il est un art de la guerre..." nos ajuda a compreender um pouco melhor o que é isso... a filosofia.


Bernard-Henri Lévy invité de Marc-Olivier Fogiel – Europe 1
Carregado por BernardHL. - Videos de noticias alternativas

PS: vídeo em francês

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Cortando noções


A eliminação da noção de certo e errado implica na eliminação da noção de elogio e de culpa, porque é da natureza humana elogiar quem faz o que é certo e culpar quem faz o errado. Se não houvesse o certo, nem o maior dos feitos humanos seria louvável; se não houvesse o erro, nem o pior dos feitos humanos seria reprovável; antes, o maior e mais importante teria o mesmo valor que o pior e mais desprezível. Em termos práticos, a sociedade inteira não teria motivo nenhum para fazer o bem e estaria entregue à sua propensão de fazer o mal, uma vez que supostamente o mal-estar da culpa não existiria mais. Isso seria o mesmo que entregar o ser humano a uma violência brutal e sem freios.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

É racional acreditar na inexistência da verdade?

1 - Parece ser racional, porque há pessoas que afirmam não existir verdade. Uma vez que os seres humanos são dotados de razão, parece não haver problema em crer na inexistência da verdade.

2 - Além disso, a verdade apresenta muitas dificuldades a uma definição precisa e parece impossível argumentar sobre algo não definido com exatidão.

3 - Por outro lado, quem acredita na inexistência da verdade tem por certa e por aceitável a sua crença. Também, quem assim crê não pensa estar iludido, mas, pelo contrário, deseja que a sua crença faça sentido. Ora, somente a verdade é digna de ser acreditada, pois a mentira ilude e, na hipótese de não haver nem verdade nem mentira, nada é digno de confiança.

4 - Dessa forma, quem pensa não existir verdade ou se contradiz afirmando ser verdadeira a proposição "Não existe verdade" ou age irracionalmente crendo em algo que não apresenta nenhum motivo seguro para ser acreditado, visto que, hipoteticamente, nem a verdade e nem a mentira existiriam.

5 - Quanto ao que é apresentado no item 1, pode-se afirmar que, embora sejam dotadas de capacidade racional, as pessoas muitas vezes procuram subterfúgios para justificar-se, ao menos aparentemente, pois não querem ser reprovadas perante os outros seres humanos. Ademais, muitas vezes também, as pessoas ignoram o raciocínio exato e verdadeiro para fazerem com que as suas ideologias sejam aceitas, conferindo-lhes poder e prestígio. Além do mais, erros de raciocínio podem ser cometidos e um conhecimento substancial da realidade exige a revelação divina. Assim, o fato de toda a pessoa ser dotada de razão não é garantia nem de sinceridade e nem de acerto no tratamento de qualquer questão por parte de cada um.

6 - Quanto ao apresentado no item 2, pode-se dizer que, embora realmente apresente grandíssimas dificuldades de definição exata, a verdade nem por isso deixa de existir, porque eu não preciso necessariamente saber "o que é" uma coisa, rigidamente definida, para saber se essa coisa "é" de fato. Noutras palavras, para saber se as coisas existem, eu não necessito da plena definição de cada ser. Estão no grupo dos que não foram plenamente definidos pelos homens, por exemplo, o "amor" e o "ser", embora não se possa concluir a inexistência de algum deles. Assim, vê-se que este argumento nada soma contra a existência da verdade.

7 - Tendo em vista os argumentos apresentados e as contradições existentes na crença da inexistência da verdade, conclui-se, portanto, que tal crença não é racional.

Rouver Júnior

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Copo meio cheio ou meio vazio? Pontos de vista.

"Um copo de vidro, água pela metade. O otimista diz que o copo está 'meio cheio', o pessimista 'meio vazio' e o realista 'pela metade'. Os três estão certos e tudo depende do ponto de vista."

Afinal, o copo está meio vazio, meio cheio ou nem um nem outro?

Alguns, contrários à verdade absoluta, fazem essa pergunta, pensando que ela demonstra que tudo depende do ponto de vista. Confesso que por um tempo não pude respondê-la. Oras! Parece que a verdade sobre o copo é relativa nesse ponto, não acha? Mas não é nada disso.

"Cheio" significa estar "repleto" e está ligado à completude. O copo "cheio" não tem mais espaço, não cabe mais nada, está completo. "Vazio", por sua vez, significa "ausência total". O copo "vazio" não contém nada. Assim, pode-se ver que a própria natureza das ideias de "cheio" e "vazio" estão ligadas ao que é total e são contrárias à incompletude: ou se está absolutamente cheio ou se está absolutamente vazio. "Meio cheio" e "meio vazio" não tem sentido lógico, porque "meio" é contrário à totalidade de "cheio" e de "vazio". Quem diz "o copo contém metade da sua capacidade total" está rigorosamente certo, mas dizer, por exemplo, que algo é "meio perfeito" é apertar as mãos da incoerência. Não acha? Porque se é perfeito é total, não pode ser meio. O que é meio perfeito não é perfeito. Assim, "meio cheio" e "meio vazio" não existem. E nada depende do ponto de vista. Grande realista!

Não se convenceu? Encha uma garrafa pet de 2 litros, diga que ela está cheia; beba toda a água, diga que está vazia; encha de novo, beba metade e você vai entender o que é estar cheio. Abraços amigáveis e bem humorados a todos.

(Rouver Júnior)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Verdade e educação: nota

A verdade é tão fundamental para a vida do ser humano que viver sem ela é impossível. Todo o homem tem a propensão para acreditar na verdade. Ninguém quer acreditar no falso, porque isso significa estar enganado. Não é radicalização.

De fato, até aqueles que negam a existência da verdade querem que as pessoas pensem ser seus pensamentos verdadeiros e confiáveis. Se o indivíduo que argumenta contra a existência da verdade assume em um debate, desde o início, que fala mentira, ele cai no absurdo e no descrédito. Ele tem de parecer que fala a verdade, e realmente assim quer. Desse modo, a única maneira de um relativista - aquele que não crê na verdade absoluta - argumentar contra a verdade é assumi-la. Isso é totalmente contraditório.

É interessante o leitor entender isso, porque no momento atual da História a sociedade passa por uma grave crise de descrença. A pós-modernidade com seu relativismo, atrelado ao comunismo militante de revolução cultural, vem destruindo muita coisa. Na antiguidade, depois do embate entre Parmênides e Heráclito, surgiu uma forte crise. Dessa crise surgiram os sofistas. Eles não tinham compromisso com a verdade objetiva, mas basicamente ensinavam meios de persuasão. Então surgiram Platão e Aristóteles. Da disputa entre o pensamento dos dois, veio outra crise. O ceticismo, o epicurismo e o estoicismo apareceram fortemente. Mais tarde apareceu Tomás de Aquino conciliando fé e razão. Em resumo da história, veio Kant e separou-lhes. Este filósofo foi a fonte do existencialismo, da fenomenologia, do pragmatismo e do relativismo modernos, dentre outros. Hoje o pensamento filosófico está em crise e, logo, a sociedade passa por ela também. Entretanto, parece que o momento mais anti-intelectual da História do pensamento é o atual.

Bom, depois dessa história, pergunto: se não houvesse verdade e tudo fosse relativo, para que argumentar? Se as informações passadas em um texto não são, pelo menos, pretendidas verdadeiras, para que escrever? Se não há pensamento verdadeiro, para que ensinar?

Note o leitor que isso afeta frontalmente a educação. Se o que o professor ensina não é verdade e tem o mesmo valor da crença anterior do aluno, ensinar não é necessário. O aluno vai terminar acreditando em algo que vale tanto quanto o que acreditava antes. Assim, a educação não gera mudança significativa no indivíduo. Pela visão que nega a verdade, saber vale tanto quanto ignorar. A escola é, então, desnecessária.

Pois é. Pretendia escrever um texto menor. Agradeço ao leitor que leu até aqui pela paciência e peço-lhe ainda mais um pouco de perseverança em ler. Mais um parágrafo e duas pequenas frases.

Se há algum professor adepto do relativismo lendo este texto, peço-lhe pense sobre a implicação do relativismo na educação. Os alunos precisam aprender coisas verdadeiras e confiáveis. Eles precisam aprender a questionar, mas com as questões certas e buscando uma resposta, que deve ser verdadeira.

Enfim terminou. Obrigado leitor.

(Rouver Júnior)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Se Deus não existe, quem tem o direito de decidir de modo absoluto o que é bom e o que é mau?

Texto: Aurélien Lang

Tradução: Rouver Júnior


Um artigo que coloca a ponto visível a incoerência da lógica do ateu: pode-se decidir que um acontecimento é bom ou mau se Deus não existe?


"Se Deus não existe, quem tem o direito de decidir de maneira absoluta o que é bom e o que é mau?" Ninguém. E isto é verdadeiro! Como disse acertadamente Dostoievski em Os irmãos Karamázovi: "E então, que se tornará o homem sem Deus e sem a imortalidade? Tudo é permitido, por consequência, tudo é licito?": o desastre total! Ninguém tem nada a nos falar sobre nossa maneira de viver.


Não existe nenhum valor moral objetivo sem Deus

Com efeito, se não há Deus, então não existem regras objetivas que ditam o que é bom e o que é mau. Os valores morais são, assim, como os gostos e as cores; exatamente como opiniões de um indivíduo ou fruto de uma evolução sócio-biológica.

Por consequência, em um mundo sem Deus, quem tem o direito de dizer o que é bom e o que é mau? Quem tem o direito de julgar as atitudes de Hitler inferiores às do apóstolo Pedro? Dizer que isto é bom, isto é mau, perde todo o sentido em uma realidade sem Deus. Porque, dizer que alguma coisa é má porque é proibida por Deus é perfeitamente compreensível a quem crê em um Legislador divino. Mas afirmar que qualquer coisa é má, se realmente não houvesse Deus para proibir, seria incompreensível.

O conceito de uma obrigação moral, que existisse fora do indivíduo, é totalmente incompreensível sem a ideia de Deus. Em um mundo sem Deus, não há lei objetiva que dite o que é absolutamente mau e o que é absolutamente bom; não existe senão julgamentos pessoais ou culturais relativos. Isto traz a inferência lógica da impossibilidade de se condenar as guerras, as opressões e os crimes perversos, além de não se poder chamar a fraternidade, a igualdade e o amor de coisas boas. Quando o governo de um país massacra uma parte da população, é logicamente inconcebível dizer que suas atitudes são más. Se não fosse assim, em nome de quem, então? Não há, em um universo fechado, quem pudesse ditar ao homem o que é bom e o que é mau. Ninguém pode dizer a ninguém: "É verdadeiramente mau o que você faz."


A impossibilidade de viver sem valores morais objetivos

O problema fundamental, contudo, é que esta exigência - ninguém tem o direito de dizer de modo absoluto o que é bom ou mau - é existencialmente impossível de viver. Nós não podemos, segundo essa exigência, levantar a voz quando ficamos sabendo que crianças são violentadas por um pedófilo. Nós não podemos nos levantar quando vemos que uma ditadura decidiu colocar em prática um programa de exterminação de milhões de pessoas. É impossível! Nietzsche, ele mesmo que escrevia a necessidade de viver "Além do bem e do mal", rompeu sua amizade com o compositor Richard Wagner quando este tornou-se antissemita. Também, Jean-Paul Sartre declarou após a Segunda Guerra Mundial que uma doutrina que leva à exterminação não é simplesmente uma atividade do gosto pessoal ou de opinião, de valor igual ao seu oposto. Esta exigência, segundo a qual não existe nenhum bem e nenhum mal absoluto, é impossível de viver.


O fracasso do ateísmo...

Vendo o fracasso do ateísmo nesse teste, como será que o cristianismo bíblico se comporta? O cristianismo descreve com uma desconcertante transparência a realidade. Com efeito, se Deus existe, é possível conhecer de modo absoluto o que é bom ou mau. Se há um Legislador divino, nós podemos explicar porque ficamos revoltados com as abominações cometidas na Segunda Guerra Mundial ou porque é inadmissível o abuso contra inocentes e a sua morte. Ao contrário, se Deus existe e é o Legislador, se é Ele quem determina o que é bom ou mau, eu aceito de fato que meu comportamento seja julgado por Deus? Nada mais coerente...

[link para o texto em francês http://www.questionsuivante.fr/verite_et_intolerance-110.html]

domingo, 18 de janeiro de 2009

Questão de lógica

O homem se caracteriza basicamente por ser racional e, assim, utilizar-se da lógica para alcançar pensamentos verdadeiros. Naturalmente o indivíduo já busca agir e falar pela razão. Na simples comunicação de uma ideia é necessária certa sistematização de palavras a fim de claramente transmitir os pensamentos. Não é possível a real comunicação em meio ao completo caos verbal.

O homem, contudo, embora racional, ainda está sujeito a cometer erros lógicos, tornando seu discurso, em partes ou totalmente, ininteligível. Para buscar evitar tais erros, logo, é necessário o treino para o aperfeiçoamento desta ferramenta do intelecto. O estudo da Lógica, nestas circunstâncias, apresenta-se fortemente produtivo.

Três princípios ontológicos (Ontologia, estudo do ser enquanto ser) são úteis à Lógica Formal. São eles:

1º - Princípio de identidade

Este princípio diz que uma coisa só pode ser idêntica a ela mesma.

Por mais parecidas que as coisas sejam, elas só podem ser idênticas a si próprias, porque se uma coisa fosse absolutamente igual a outra não seriam duas, mas apenas uma coisa. Concernente ao ser humano, por exemplo, apesar das grandes semelhanças de um indivíduo a outro, eles não são em tudo iguais. Entre duas pessoas muito parecidas, uma tem cabelo liso, a outra um pouco mais crespo; uma fala rápido, a outra lentamente; uma é mais calma que a outra, etc.

Não há gêmeos em absoluto iguais tanto nos traços físicos quanto nos psicológicos, mas, embora houvesse, eles seriam pelo menos diferentes quanto ao lugar que ocupam no espaço e quanto às coisas que lhes sucederam na vida, porque, até as menores diferenças são diferenças. Deste modo, não há ser igual a outro.

2º - Princípio de não-contradição

Este princípio decorre do primeiro, porque se uma coisa só é igual a ela mesma, ela não pode ser igual a outra. Noutras palavras, como disse Parmênides "Tudo que é, é". Tudo que é, é; e tudo que não é, não é. Não há possibilidade de algo ser o que é e ser o que não é. Nada pode não ser o que é e ser o que não é. Exemplificando, uma cadeira, sendo cadeira, não pode ser cadeira e não ser cadeira ao mesmo tempo. Ou ela é cadeira ou não é cadeira. Sabemos que o contrário do que é verdadeiro é falso e o contrário do falso é verdadeiro. Se duas coisas estão em contradição, conclui-se que as duas não podem ser falsas, nem as duas são verdadeiras. Ou a afirmação é verdadeira, ou a negação é verdadeira. Provada a veracidade de uma delas, automaticamente a outra demonstra-se como falsa; provada a falsidade de uma delas, automaticamente a outra é verdadeira.

Quanto à cadeira, as proposições

1 - Aquilo é uma cadeira

e

2 - Aquilo não é uma cadeira

estão em contradição. Assim, as duas não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, nem falsas ao mesmo tempo. Uma há de estar certa e a outra errada.

Aqui cabe um esclarecimento. Pode-se argumentar que há a possibilidade de uma cadeira ser cadeira e mesa ao mesmo tempo, dependendo do uso que se faz dela. É claro que posso usar uma cadeira para colocar um caderno em cima para escrever um texto como faria numa mesa. Mas o erro da afirmação está relacionado à Ontologia, ao ser do qual se fala. Na afirmação feita muda-se apenas o nome, o objeto (o ser), porém, continua o mesmo. Não é porque chamo e uso o objeto X como 1 que ele é X e 1. Assim, o objeto que chamamos "cadeira" continua sendo quem é, idêntico a si, mesmo se o chamarmos e o usarmos como "mesa". O objeto não mudou, mudou o nome que lhe deram e o uso. A um mesmo objeto um chinês dá um nome, o grego outro e o escocês outro.

Ainda mais, imagine-se uma corda. Quantos usos diferentes podem ser feitos dela? Posso usá-la como brinquedo, pulando corda; posso usá-la para amarrar algum objeto; posso usá-la também para pendurar roupas. Em todos os casos o ser (o objeto) a que chamamos corda continua o mesmo, embora possamos chamar-lhe brinquedo, amarrador e varal.

Se algo é o que é e não é o que não é, podemos deduzir que uma contradição ocorre quando se atribui a um ser o que ele não é, sendo ele o que é. Formalmente, a contradição ocorre quando se atribui a um mesmo ser o que ele é e o que ele não é. Por exemplo:

- O fogo queima o papel sem queimá-lo.

Afirma-se aí que, em relação ao papel, o fogo queima-o e, ainda em relação ao papel, não queima-o. Analiticamente seria:

A - O fogo queima o papel.

B - O fogo não queima o papel.

Como as duas são contrárias, uma há de ser verdadeira e a outra falsa. Se provo que o fogo realmente queima o papel, logo, a proposição "O fogo não queima o papel" mostra-se falsa, e vice-versa.

3º Princípio do Terceiro excluído

Também decorrente do princípio de identidade, este exclui uma terceira opção entre a negação e a afirmação. Por exemplo, eu nasci ou não nasci; não posso ter nascido mais ou menos; ou o mundo foi criado ou não foi criado; não há possibilidade de haver sido meio criado, ou criado e não criado ao mesmo tempo. Com isso, uma terceira via entre o ser e o não-ser é excluída.

Finalizando, quero dizer que nossa razão é limitada, mas isso não significa que a lógica não tenha proveito, apenas não compreendemos absolutamente tudo por ela. Há muitas coisas a ser compreendidas através da lógica, mas ela é limitada. O estudo da lógica é grandemente útil e é bom que se faça, a fim de um melhor aproveitamento e precisão dos raciocínios. Seja entendido, porém, que temos um limite. Isso não significa, contudo, que não haja um campo extraordinariamente enorme para investigarmos. Devemos buscar entender as coisas tendo a consciência de que somos dependentes da revelação divina.

(Rouver Júnior)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Missões e inteligência

A inteligência é uma dádiva dada por Deus. Talvez os dias atuais de pós-modernidade formem o quadro mais antiintelectual desde alguns séculos a.C.

Quando Deus concede alguma coisa para alguém, é porque Ele tem algum objetivo. Deus não daria uma ferramenta ao ser humano para que ela ficasse sem uso. As ferramentas enferrujam se não usadas. Assim, a inteligência se embota se não cultivada.

Alguém disse que Cristo quer salvar a alma e a mente. Pois é. Deus não quer seus preciosos filhos com uma ferramenta sem uso.

Penso ser obrigação de todo o cristão buscar crescer intelectualmente, porque Deus deu a inteligência com um objetivo. Amar sem conhecer a quem se ama é ignorância, porque aí se ama alguém imaginário, mas amar conhecendo é amor verdadeiro.

Cristo nos amou sabendo quem nós éramos e Ele nos amou verdadeiramente.

Ora, o lavrador tem a obrigação de cuidar de sua enxada, nós temos a obrigação de cuidar da ferramenta que Deus nos deu: a inteligência.

Ser um intelectual sem amor não adianta, mas viver um sentimentalismo sem conhecimento também não é bom.

Imagine um biólogo cristão que passa seis dias da semana defendendo na academia a teoria da evolução e o naturalismo ateu e no domingo corre à igreja para adorar o Deus da criação.

Imagine o antropólogo cristão, acadêmico defensor do relativismo cultural e moral, que na igreja procura adorar em todos os finais de semana o Deus verdadedeiro e absoluto.

Imagine, por fim, um economista ou político cristão que defende com unhas e dentes o marxismo materialista de Lênin e Marx, o comunismo, o socialismo, e que depois em seu quarto dobra os joelhos para clamar ao Deus imaterial, transcendente, eterno, onisciente, onipotente e onipresente.

O cristão deve anunciar a Verdade em todos os âmbitos: Biologia, Antropologia, Economia, Política, Filosofia, Física, Química, Matemática, Literatura, Lingüística, etc.

E, para fazer isso, é preciso conhecer tais áreas. É necessário que o biólogo pregue o Evangelho na biologia, o filósofo na Filosofia, o literato na Literatura, e assim por diante.

Missões é pregar em ônibus, nas ruas, aos vizinhos, aos amigos, aos colegas de trabalho, aos colegas de estudo; é ir para a África, Ásia, Europa, América, Oceania e até nos pólos e ilhas se necessário, mas é também lutar no âmbito intelectual, desfazendo as teorias falsas que levam a muitos para o inferno.

Eis o que o apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, diz:

"Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas;
destruindo os conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo,
e estando prontos para vingar toda desobediência, quando for cumprida a vossa obediência." [2Cor 10:4-6]

Devemos destruir com as armas dadas por Deus toda teoria, todo o pensamento, todo o orgulho extremado, que se levantam contra o conhecimento de Deus, que atrapalham as pessoas de chegarem até Deus, que encaminham as pessoas diretamente ao inferno.

Ora, quanta gente morrendo e indo para o inferno porque diz no seu coração "Não há Deus".

Deus é Aquele que faz o néscio morrer e em seu lugar nascer um sábio, mediante o novo nascimento.

Mas como ouvirão se não há quem pregue?

(Rouver Júnior)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Uma refutação - Relativismo

Antes da argumentação coloco, de princípio, um pressuposto básico:

- Ou é relativo ou absoluto. Não há possibilidade de ser relativo e absoluto. Se não é absoluto, é relativo, se não é relativo, é absoluto.

O Relativismo defende a idéia da não-existência da Verdade Absoluta e objetiva. Assim, qualquer pensamento tido como verdade por uma ou mais pessoas é aceitável e não é nem melhor nem pior do que outros pensamentos também tidos como verdades. Duas coisas interessantes podem ser percebidas à partir daí:

1 - O Relativismo defende a relatividade, porque pensa ser esse pensamento correto. Defende a relatividade da verdade, visto acreditarem ser a verdade relativa.

2 - O Relativismo tem de aceitar, pelos seus próprios postulados, que a crença "O Relativismo é falso" tem igual valor a "O Relativismo é verdadeiro".

Começarei pelo segundo.

(2) _ Afirmando a arbitrariedade da verdade e o igual valor entre todas as verdades, o Relativismo assume que é tão valoroso afirmar "O Relativismo é sensato, correto e verdadeiro" quanto "O Relativismo é insensato, incorreto e falso". Noutras palavras, é tão valoroso o relativismo quanto o seu contrário, isso segundo o próprio relativismo. Logo, o Relativismo não é mais que uma simples crença; pela própria corrente, nem melhor nem pior do que a crença na verdade absoluta.

Se você acredita no Relativismo, de acordo; se não acredita, e crê no oposto, de acordo também. Desta forma, por sua própria cosmovisão, o relativista está impedido de criticar o que for, quem for, porque o Relativismo não é melhor do que o seu oposto, pela própria corrente.

Deve-se aceitar absolutamente tudo, e isto é absoluto.

Agora o item um.

(1) _ Neste tópico reside uma grande contradição relativista, porque defender uma posição é tentar mostrar justamente que ela é verdadeira e superior à sua negação e a outras idéias divergentes.

O Relativismo defende a si próprio, o que significa, em consequência, que ele se propõe verdadeiro e superior, mais digno de aceitação, ao seu oposto e a idéias diversas. Se não fosse assim, não haveria motivo para um filósofo teorizar o Relativismo; não haveria sentido em escrever um livro sobre Relativismo, salvo, talvez, para criticá-lo. Contudo, se ele não fosse primeiramente teorizado, não haveria como tecer-lhe críticas. Eu estou criticando-o, logo, ele foi teorizado.

A simples e totalmente imparcial descrição do relativismo seria, outro tanto, também sem significado, pois, mesmo quando descrevo o pôr-do-sol, tenho um objetivo central na descrição. Portanto, se há a teorização relativista, e a defesa do relativismo pelos próprios relativistas, o Relativismo se mostra incoerente e auto-refutante.

Caso não existisse a verdade absoluta, como os relativistas pregam, e todos os pensamentos fossem iguais em valor, defender a corrente em questão seria irracional, como defender qualquer outra. Se uma está de acordo e a outra também, escolher arbitrariamente é a melhor escolha. Não preciso argumentar, qualquer crença está de acordo, segundo o relativismo. Argumentar seria esforço inútil, porque vou terminar acreditando numa crença de igual valor que a que combati.

Há ainda um terceiro item.

3 - O Relativismo se propõe, por inferências, a verdade absoluta e transcendental.

(3) _ Ponto polêmico, talvez, mas coerente e racional.

Verdade absoluta e transcendental é aquela que é a mesma independentemente do tempo e do espaço. A verdade absoluta era verdade absoluta, independente do que pensavam dela, no Egito há 5.000 anos, no Egito de agora e no Egito do futuro, seja o futuro terreno do tamanho que for. Ela era verdade absoluta na China de 4.000 anos atrás, na Pérsia de 1.000 anos, na França de 50 anos, etc. E é exatamente isso que, mesmo por inferências, o Relativismo afirma.

Se pergunto a um relativista se há verdade absoluta, ele dirá "Não". Se lhe pergunto:

- Na Grécia Antiga, de Sócrates, Platão, Aristóteles, havia verdade absoluta?
- Em Israel, no ano 27 d.C., havia verdade absoluta?
- Quando da queda do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C., havia verdade absoluta?
- E na Rússia de 91 anos atrás?
- E na Alemanha atual?

Com certeza, se o relativista quiser ser coerente com o Relativismo, para todas as perguntas a resposta será "Não".

Mas veja a cabal contradição. Se a verdade absoluta e transcendental não muda nem com o tempo nem com o espaço e pressupõe-se haver tido relativismo de valores e verdades desde há 4 mil anos e também mais para trás, em todas as nações, todas as sociedades, pois uma era relativa à outra, inferindo que tudo sempre foi relativo, isso não seria propor uma verdade absoluta e transcendental? Com certeza. Mas os relativistas negam a verdade absoluta e afirmam a transcendentalidade e o absolutismo (absolutidade) do próprio Relativismo. Isso é faltar com a perfeita relação lógica entre as idéias.

Mais desastroso seria, eu penso, se, para negar a transcendentalidade do Relativismo, o partidário dessa filosofia afirmasse que em certos períodos da história houve relativismo e em outros a verdade absoluta e transcendental. Aí ele já está dando um passo para a negação do Relativismo, pois já aceitou a verdade absoluta como possível. Contudo, se a lógica é: "ora há relativismo, ora há verdade absoluta, e assim continuamente", não se anulou a verdade absoluta e transcendente, porque, assim, a verdade seria: "o mundo funciona de maneira que ora há verdade, ora há relativismo e sempre será assim". Mas eu penso que esse argumento é por demais desastroso.

Sabendo haver mais a tratar acerca do Relativismo, limito-me, contudo, acreditando ter mostrado, pelo menos, o caráter contraditório da corrente em questão, não sendo, logo, possível a crença racional em tal filosofia. Mas como último argumento, a saída, em conclusão, é crer na verdade absoluta, porque, se relativismo é o oposto da verdade objetiva, havendo sido mostrada a falsidade dele, então, pela lógica, a verdade absoluta é a verdade absoluta, pois o contrário do falso é o verdadeiro.

(Rouver Júnior)

sábado, 1 de novembro de 2008

Erros e racionalidade - Ciência, Naturalismo e Evolucionismo

Idéia errada é pensar que a ciência é onipotente. Ela é incapaz de provar muitas coisas, que, ao acreditarmos, somos racionais. Como argumentou o filósofo cristão Dr. William Lane Craig em um debate com o cientista ateu Dr. Peter Atkins, a ciência não pode provar verdades lógicas e matemáticas, porque seria petição de princípio; verdades metafísicas, tais quais "existem outras mentes além da minha", "o mundo exterior a mim é real", "o universo foi criado há mais de cinco minutos", etc; juízos de valor, certo e errado, bom e mau, Hitler fez coisas horríveis; juízos estéticos, como belo e feio; e a própria ciência, pois está permeada de suposições, como a base da teoria da relatividade. "Toda a teoria", diz Craig, "depende da suposição de que a velocidade da luz é uma constante, em uma direção, entre quaisquer dois pontos A e B. Mas estritamente, isso não pode ser provado; nós simplesmente temos de admitir isso, a fim de manter a teoria."

Há diversas coisas que a ciência não pode provar. Então, dizer que algo não é verdadeiro simplesmente porque não foi provado cientificamente é um grande erro.

Outro erro, e esse gravíssimo, é pensar que a crença em Deus é algo totalmente irracional, ligado tão somente a sentimentos e a um querer acreditar em algo. O filósofo cristão norte-americano Alvin Plantinga, em artigo denominado, em português, "O argumento evolucionista contra o naturalismo", mostra a incompatibilidade entre as duas correntes presentes no título e ainda evidencia que acreditar no naturalismo é irracional, porque ele oferece um elemento invalidador da confiabilidade em toda e qualquer crença humana.

Basicamente, o evolucionismo fala de Seleção Natural. Comportamento adaptativo, sobrevivência, reprodução são as tônicas da Seleção. O evolucionismo não fala nada sobre a veracidade ou falsidade de crenças, de modo a não importar se a crença é falsa ou verdadeira. O importante é o comportamento adaptativo voltado para a sobrevivência e perpetuação da espécie.

O naturalismo, por sua vez, diz não haver um Deus Criador, tendo tudo surgido, se surgiu, ao acaso, sempre aleatoriamente.

Um ponto-chave para a compreensão é: nós que acreditamos em Deus, sabemos que Deus nos deu capacidades cognitivas, como percepção, memória e razão, a fim de podermos encontrar certos pensamentos verdadeiros. Por exemplo, pela razão eu entendo que 2+2 = 4. A minha razão vai dizer que é falso 2+2 = 19. Portanto, a minha razão me proporciona encontrar certos pensamentos verdadeiros.

Para o evolucionismo, se a crença é verdadeira, bem, se falsa, bem também. O importante é o comportamento adaptativo. O naturalismo diz que não há Deus. Logo, por esta corrente, não fomos criados por uma Pessoa que nos deu capacidades cognitivas visando encontrássemos certos pensamentos verdadeiros. Darwin teve uma grande dúvida: se um macaco raciocinasse, como confiar em suas conclusões?

Se, como crê o naturalismo, não fomos criados e não recebemos cognição a certo ponto confiável, resta que as nossas crenças, todas elas, tem 50% de serem verdadeiras e 50% de serem falsas, número insuficiente para a confiabilidade. Assim, não há, pelo naturalismo, como crer racionalmente em alguma coisa, porque eu não tenho nem 1% a mais de chance de estar certo em minha crença. Racional seria, nesta ótica, duvidar de tudo, isto é, ser agnóstico. Contudo a razão está sendo posta em xeque, de maneira que eu acreditar que a melhor opção, a mais racional, é ser agnóstico também não é confiável, porque é crença.

Indo além, o naturalismo oferece um elemento para se duvidar do próprio naturalismo. Ele é auto-refutante. Fala contra si próprio. Porque o naturalismo é uma crença - encare aqui a palavra "crença", não no sentido religioso, mas no fruto da conclusão do raciocínio. Sendo o naturalismo uma crença, e ele próprio oferecendo a dúvida para todas as crenças, o naturalista tem firmes motivos para abandonar o naturalismo, porque não há, por esta visão, como acreditar em nada. Ser naturalista e, portanto, ateu é irracional.

É possível ser evolucionista e crer em um Criador, porque, pela lógica, Deus pode ter criado as coisas com a propriedade de evoluir e ter deixado a criação andar com as próprias pernas. Não admito tal visão; é anti-bíblica; é falsa; mas dentro da lógica evolucionista é coerente. Assim esse Criador da evolução poderia ter colocado no ser humano faculdades cognitivas confiáveis. O naturalismo, contudo, rejeita totalmente a existência de Deus e, portanto, que o Criador nos deu faculdades cognitivas confiáveis. Logo, se não posso confiar em minha razão para nada, é inútil raciocinar acerca do assunto que for, visto que o raciocínio é produto da razão e, sempre, o seu final é uma crença.

Parece-me que o naturalismo propõe, por inferências, que abandonemos a razão e sejamos como animais irracionais.

Por finalização, quero dizer que Plantinga termina o seu artigo "Evolução versus naturalismo" desta forma:

"A conclusão óbvia, como assim me parece, é que o naturalismo evolucionista não pode sensatamente ser aceito. Os altos sacerdotes do naturalismo evolucionista proclamam em altas vozes que o cristianismo e mesmo a crença teísta está falida e que é ridícula. O fato, entretanto, é que a mesa virou. É o naturalismo evolucionista, e não a crença cristã, que não pode ser racionalmente aceito." [trecho retirado do blog Apologia - www.apologia.com.br]


(Rouver Júnior)

PS: O vídeo do debate de Craig e Atkins pode ser encontrado no blog Apologia - www.apologia.com.br - ou no link http://www.youtube.com/watch?v=0_TLzIR2ptM