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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Macaquices

Todas as coisas que conhecemos têm semelhanças entre si. Até as mais díspares, se não se assemelham em mais nada, participam pelo menos da existência - elas existem - de modo que é possível comparar qualquer coisa com qualquer coisa. Assim, muitos se maravilham pelas semelhanças entre o homem e o macaco. Eles dizem: "Não é possível! Eles têm de ter um parentesco!"

É claro que há semelhanças. A mãe macaca também cata piolhos. Porém, se observarmos atentamente, as diferenças é que impressionam. O macaco tem duas mãos como às do homem, mas a quantidade de coisas que o homem faz com elas é excepcionalmente maior. O macaco quase não faz nada, o homem pinta um quadro, desenha a planta de um prédio, escreve um poema, costura, se comunica através de gestos e mesmo por determinado sistema linguístico (LIBRAS, no Brasil). O macaco pode ser condicionado a alguns comportamentos, mas é o homem quem o condiciona. O macaco pode colher bananas com as suas mãos, mas o homem planta bananeira. Se o ser humano tem semelhanças com o macaco, também o tem com uma galinha, um pássaro, um elefante. Mas em momento algum isso demonstra ancestralidade ou árvore genealógica comum, como o fato de uma pedra existir não comprova que em algum momento da história o ser humano foi seu parente próximo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O Pensamento de Charles Darwin no leito de morte

Por Joubert

DARWIN DIANTE DA MORTE



A postura de cada um na iminência da morte pode esclarecer suas motivações e escolhas durante a vida. Em geral, quanto mais maturidade se tem, mais condições de avaliar tais escolhas. As fotos mostram Darwin em sua juventude e em sua idade avançada.

Como estamos no ano de Darwin, 150 anos de sua obra A Origem das Espécies e 200 anos de seu nascimento, que se inclua na lembrança deste ícone da ciência contemporânea, suas tão importantes palavras no leito de morte. Elas podem indicar onde estão as chaves que abrem as portas do cativeiro do pensamento humano. Medite e avalie por si mesmo.

A VISITA DE LADY HOPE A CHARLES DARWIN

Os estudantes da teoria da evolução podem surpreender-se ao saber que, no final de sua vida, Charles Darwin retornou à sua fé na Bíblia. O relato a seguir foi feito por Lady Hope, de Northfield, Inglaterra, uma maravilhosa mulher cristã que esteve muitas vezes ao lado de sua cama nos seus dias finais.

Foi numa dessas gloriosas tardes de outono que às vezes temos na Inglaterra que fui chamada para entrar e sentar-me com Charles Darwin. Sempre que eu o via, com sua presença elegante, eu imaginava que dele se podia pintar um quadro formidável para nossa Academia Real, mas nunca pensei tanto nisso como nesta ocasião em particular.

Ele estava sentado na cama, apoiado em travesseiros, olhando fixamente para uma cena distante no bosque e nos campos de milho que reluziam à luz de um maravilhoso pôr-do-sol.

Seu semblante iluminou-se de prazer quando entrei no quarto. Ele acenou em direção àjanela, apontando para a bela cena do poente. Em sua outra mão ele segurava uma Bíblia aberta, a qual ele sempre estava estudando.

“O que você está lendo agora?”, perguntei.

“Hebreus”, ele respondeu. “O Livro Real, como eu o chamo”. Então, à medida que colocava seus dedos sobre certas passagens, ele comentava sobre elas.

Fiz algumas alusões às fortes opiniões expressas por muitos sobre a história da criação, e sobre os julgamentos que faziam a respeito dos primeiros capítulos de Gênesis. Ele pareceu angustiado, crispando seus dedos nervosamente, e um ar de agonia tomou conta do seu rosto ao dizer: “Eu era um jovem com idéias informes. Soltava perguntas, sugestões, indagando o tempo todo sobre tudo. Para meu espanto, as idéias se alastraram como fogo. As pessoas fizeram delas uma religião”.

Ele ficou em silêncio por um tempo e depois de dizer algumas frases sobre a santidade de Deus e a “grandeza deste Livro”, olhando com carinho para a Bíblia que estava segurando o tempo todo, ele disse:

“Tenho um quiosque no jardim que comporta cerca de trinta pessoas. É ali (ele apontou através da janela aberta). Gostaria muito que você falasse lá. Sei que você lê a Bíblia nas aldeias. Amanhã à tarde gostaria que os empregados neste lugar e alguns inquilinos e vizinhos se reunissem ali. Você lhes falaria?”.

“Sobre que devo falar?”, perguntei.

“Cristo Jesus”, ele respondeu num tom claro e enfático — e acrescentou num tom mais baixo: “e Sua salvação. Não é o melhor tema? Depois quero que você cante alguns hinos com eles. Você pode acompanhá-los com seu pequeno instrumento, não pode?”

O brilho do seu rosto, quando ele disse isto, eu nunca esquecerei, pois acrescentou: “Se você fizer a reunião às três horas, esta janela estará aberta, e você saberá que estou cantando junto com vocês”.

Haveria uma cena mais dramática? O âmago da tragédia nos é exposto aqui! Darwin, um entusiasta da Bíblia, falando sobre a “grandeza deste Livro”, e sendo lembrado de que o movimento evolucionista moderno na teologia, unido ao criticismo cético, destruiu a fé bíblica de multidões. Darwin, com um ar aflito, lamentando-se por tudo e declarando: “Eu era um jovem com idéias informes”. Que condenação avassaladora! As “idéias informes” do jovem Darwin são a base da teologia (e da ciência) moderna!

(Oswald 3. Smith, Litt. D., artigo extraído de Prayer Crusade, publicada por The Little Church by the Sea, mc.) Citado no livro: O que eles disseram a um passo da eternidade, John Myers, pp. 244, Worship Produções, D’Sena Editora.

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Postagem publicada no blog Em Família de Joubert, pr.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

II Simpósio Internacional Darwinismo Hoje

Aconteceu na Universidade Presbiteriana Mackenzie, do dia 13/04 ao 16/04, o II Simpósio Internacional Darwinismo Hoje, com a presença de estudiosos, como o Dr. John Lennox, o Dr. Paul Nelson e o Dr. Marcos Eberlin, dentre outros nomes importantes.

As palestras disponíveis para download ou para se assistir no site podem ser encontradas no link a seguir.

http://www.mackenzie.br/2_darwinismo_videos.html

Os formatos dos vídeos:

"Flash Video - FLV - 640x480 - 640Kbps
Windows Media - WMV - 320x240 - 320Kbps
IPhone/iPod touch - MP4 - 320X480
Salvar - Opção de Download - ZIP - Windows Media"

Apresentação e informações sobre os palestrantes no link seguinte:

http://www.mackenzie.br/2_darwinismo_apresentacao.html

sexta-feira, 6 de março de 2009

A aula do Doutor Ateu

Vídeo divertido. O Doutor Ateu explica o princípio de todas as coisas.


Materialismo, Naturalismo, Darwinismo, não são a ciência, embora sejam concepções científicas às quais certas pessoas aderem. Criacionismo e Design Inteligente também são concepções da ciência, de modo a ser a imparcialidade o melhor caminho para a análise dos fatos. Quais são as evidências? A quais conclusões levam? Quais concepções se sobressaem? Ao estudante devem ser apresentados os dois lados da questão.

(após visita ao blog Desing Inteligente - http://designinteligente.blogspot.com/2008/12/as-aulas-do-professor-ateu.html)

PS: parece-me que o vídeo dá margem à crença da evolução criacionista, contudo, não assumo essa postura e aceito a literalidade do relato de Gênesis, havendo Deus criado as coisas em seis dias literais.

(Rouver Júnior)

sábado, 17 de janeiro de 2009

Deus não é demonstrável!

Texto: Jonathan Kitt

Tradução: Rouver Júnior


"Não há evidências suficientes!" É o que o filósofo britânico Bertrand Russell afirmou que responderia se Deus lhe perguntasse porque não havia crido. Pode-se demonstrar a existência de Deus? Julguem vocês.


"Não há evidências suficientes!"

É o que o filósofo britânico Bertrand Russell afirmou que responderia se Deus lhe perguntasse porque não havia crido. Pode-se demonstrar a existência de Deus? E o que se entende por "provas"? Segundo o Petit Larousse, uma prova é "aquilo que demonstra, estabelecendo a verdade de alguma coisa".


Não se demonstra Deus

A epistemologia é a teoria do saber, do conhecimento (do grego episteme, conhecimento).

Pode-se distinguir três grandes objeções epistemológicas à demonstrabilidade da existência de Deus.


- O princípio verificacionista

A primeira objeção nos vem de uma escola filosófica chamada de "positivismo lógico" (igualmente nomeada de "empirismo lógico", "neo-positivismo" ou "empirismo racional"), e mais precisamente de "verificacionismo". O postulado no qual esta filosofia se baseia é: para fazer sentido, uma proposição deve poder ser verificada de maneira empírica. A proposição "Deus existe", não sendo verificável, não tem sentido e não é nem verdadeira nem falsa.

Esse princípio "verificacionista", por duas razões, hoje se encontra majoritariamente abandonado.

1ª) Ele é por demais restritivo. Os filósofos rapidamente se deram conta de que a adesão a este princípio implica necessariamente o abandono de grande número de proposições, tanto metafísicas, quanto éticas e científicas, porque essas proposições não são verificáveis.

2ª) Ele se auto-refuta. Com efeito, a proposição "Uma proposição com sentido deve ser verificável" não é, por si mesma, verificável.


- A ausência de prova indica a inexistência de Deus?

O ateísmo supõe que a ausência de provas em favor da existência de Deus justifica a crença na sua inexistência. Porém, a ausência de provas não é necessariamente uma prova da inexistência. Peguemos, por exemplo, o processo criminal de um assassino. A ausência das impressões digitais do acusado na arma do crime não será suficiente para o absolver. Ele deverá apresentar um álibi, quer dizer, poder provar de modo irrefutável que ele não poderia ter cometido o crime do qual é acusado.

Pode-se perguntar se, em certas situações, a ausência de provas constitui uma prova da inexistência. Imagine-se em uma sala de aula em que, subitamente, alguém exclama "Tem um elefante na sala!". Se você não vir um elefante, logo concluirá sem dúvida alguma que não há um elefante. Um pouco mais tarde, outra pessoa, por sua vez, exclama: "Tem uma pulga na sala!". O fato de você não ver a pulga não bastaria para afirmar que não há pulga alguma na sala. Assim, a ausência de provas não demonstra a inexistência senão no caso em que, se o ser ou a coisa existisse, você esperaria ter provas.

O filósofo ateu Michael Scriven explica que na ausência de provas da existência de um ente, dois critérios são necessários para justificar a convicção de que este ente não existe:

1º) O ente deve ser tal que deveria se esperar dele que deixasse sinais (ou mais sinais) de sua existência.

2º) Deve ser possível afirmar haver feito todas as buscas possíveis e imagináveis antes de concluir que estas provas não existem.

Assim, o ateu crê poder provar que, se Deus existe, deveria haver provas de sua existência e que ele procurou essas provas sem as encontrar: "Se Deus existe, X deveria ser encontrado. Não se encontra X, logo, Deus não existe". Ele afirma, portanto, saber quais os gêneros de provas que deveriam haver se Deus existisse. Isso nos parece presunçoso...


- Deus deveria deixar mais evidências?

Uma terceira objeção levantada contra a existência de Deus baseia-se neste argumento: a existência de Deus, não sendo também mais evidente do que se poderia pensar, ou que deveria o ser, sucede que Deus não existe. Certos ateus afirmam que, se Deus existisse, Ele haveria feito as coisas de forma que as provas fossem suficientes para que todo o mundo cresse que Ele existe.

No Antigo Testamento Deus é descrito como que se manifestando ao seu povo de maneira bem visível: as pragas no Egito, as colunas de fogo e de fumaça que guiaram o povo de Israel no deserto, a separação das águas do Mar Morto...[mar Vermelho, na Bíblia] Mas estas manifestações produziram uma mudança durável de coração entre o povo? Não! O povo rejeitou a Deus por várias vezes. Por que as coisas seriam diferentes hoje?

Deus não quer somente que nós creiamos que Ele existe. Ele deseja que creiamos no que a Bíblia nos ensina acerca de quem Ele é: um Deus santo, justo, perfeito, cheio de amor e de misericórdia. João Calvino, o reformador protestante, dizia que de nada vale crer que Deus existe se não se deseja conhecê-lo.


Deus se revela

A Bíblia nos diz que "as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas" (Romanos 1:20). Não se pode provar sem sombra de dúvida que Deus existe, mas há certo número de argumentos que nos levam a crer.

[A versão utilizada na tradução do trecho do versículo bíblico foi a ARC. O autor utiliza assim: "les perfections invisibles de Dieu, sa puissance éternelle et sa divinité, se voient comme à l'oeil nu, depuis la création du monde, quand on les considère dans ses ouvrages."]

link para o texto em francês: http://www.questionsuivante.fr/science_et_christianisme-100.html


CONSIDERAÇÕES DO TRADUTOR

Há a necessidade de se fazer algumas considerações porque, apesar de o texto ser muito produtivo, a sua totalidade não expressa absolutamente a minha visão das coisas.

1ª - Esta primeira consideração não configura uma discrepância, mas simplesmente um maior esclarecimento sobre o princípio verificacionista em relação à assertiva "Deus existe". Se, por um lado, não se pôde até hoje verificar-se através de experiências a afirmação "Deus existe", por outro, a proposição "Deus não existe" também não foi provada. Assim, crer na não existência de Deus pelo fato de não haver sido provado empiricamente a validade da expressão "Deus existe" é cair em incoerência, porque não se conclui necessariamente que Deus não existe apenas por não se enxergar provas empíricas. Para tanto, seria absolutamente necessário a verificação da afirmação "Deus não existe".

2ª - No caso do processo criminal de um assassino, a ausência de digitais na arma do crime não será de fato suficiente para o absolver, mas tampouco bastará para culpá-lo. Para não ser incriminado basta não haver provas do crime. Mas o seu inocentamento não decorre da sua real inocência, porém, do fato de que não se apresentou nenhuma prova de que ele é culpado ou inocente, sendo, nesta circunstância, impossível a afirmação da sua culpa ou da sua inocência. Com certeza, ele é ou culpado ou inocente, mas faltam provas.

3ª - Quanto ao caso no qual se afirma a presença de um elefante na sala, a presença imediatamente vista do elefante é o bastante para provar sua presença. No caso da pulga, não se percebe de imediato a presença da pulga. Contudo, isso não implica na ausência total de provas, não implica a inexistência de provas, porque pode-se encontrar a pulga através de uma procura minuciosa e aplicada. Assim, mesmo com a pulga há prova que demonstre a sua presença na sala, se a declaração "Há uma pulga" for verdadeira.

4ª - O texto traduzido afirma não ser possível provar sem dúvida a existência de Deus, o que é questionável, porque as evidências e a razão apontam e exigem a necessidade de um Ser incriado, eterno, infinito, Criador, cuja existência não depende de tempo e espaço. Para que um dia houvesse algo, como hoje há várias coisas, é necessário que sempre houvesse algo, pois do nada absoluto não há a mínima possibilidade de surgir alguma coisa. Não sendo o universo eterno, porque, se o fosse, haveria uma quantidade infinita de fatos no passado de modo que nunca chegaríamos a viver o momento presente, é necessário que Deus haja criado a matéria, o tempo, o espaço, enfim, toda a criação.

O universo não é eterno e não pode ter surgido do nada. Assim, antes do universo havia algo, havia, logo, Deus.

O texto também afirma que há um grande número de argumentos que nos fazem crer. Ora, os argumentos que racionalmente demonstram a necessidade da existência de Deus são as provas objetivas de Sua existência, embora a razão humana seja limitada e a revelação divina seja imprescindível.

sábado, 10 de janeiro de 2009

A ciência não sepultou a Bíblia?

Texto: Pierre-Sovann Chauny

Tradução: Rouver Júnior


Neste artigo você entenderá a diferença entre ciência e cientificismo e compreenderá também que aqueles que opõem ciência e Bíblia são vítimas de um grave mal-entendido.

Aqueles que perguntam: "A ciência não sepultou a Bíblia?" afirmam ser necessária a escolha entre os fatos científicos e o imaginário bíblico, sendo impossível acreditar nos dois ao mesmo tempo.

Esse conflito entre a ciência e a Bíblia vem de que, muito freqüentemente, a ciência ultrapassa seus próprios limites: em lugar de permanecer dentro de um método de descoberta da realidade, ela assume uma visão geral da realidade supondo abarcar todas as coisas. Ou, como dizia o matemático britânico Karl Pearson: "O objetivo da ciência é claro: nada menos que interpretar completamente o universo".


I. Pressuposto contra pressuposto.

O pressuposto que muitos cientistas, como Karl Pearson, adotam é "o método científico é o único meio que permite chegar-se à totalidade do saber". Atribui-se aqui à ciência uma autoridade absoluta. Essa concepção da ciência afirma também claramente que não se descobre a verdade se não pelo método empírico. Mas a Bíblia diz que o homem não pode descobrir a verdade última por si mesmo.

É aqui que repousa o conflito fundamental entre certa concepção da ciência, de um lado, e a Bíblia, de outro. O cientificismo pretende que não há nada verdadeiro além do que é observável e verificável, enquanto o cristianismo defende que a verdade suprema não pode ser encontrada a não ser pela revelação divina.


II. O perigo do cientificismo.

Os cristãos aceitam a veracidade dos fatos científicos. O que não aceitam é a interpretação que determinados cientistas dão a esses fatos. Entre os fatos cientificamente estabelecidos e a Bíblia não há nenhum conflito real; mas existe um considerável conflito entre o que a Bíblia diz e certas teorias não provadas (a saber, a Teoria da Evolução, como explicação exaustiva do universo, não é mais que uma teoria). A Bíblia, é verdade, é escrita em uma linguagem que não utiliza a terminologia científica, mas isso não significa que ela seja cientificamente inexata. De fato, alguns dos maiores cientistas da era moderna (tais quais Pascal, Newton, Faraday, Pasteur e tantos outros ainda hoje) criam ou crêem na total veracidade da Bíblia. Pode-se ser um grande cientista sem que, para isso, se acredite que a Bíblia está enterrada.

O conflito entre a ciência e a Bíblia não existe senão quando os cientistas ultrapassam os limites de seu campo de conhecimento, quando saem do que é observável e reproduzível (por exemplo, quando especulam acerca da origem do universo, sobre o valor do indivíduo ou a respeito do destino de nossa espécie). Quando a ciência é utilizada assim, ela na verdade não é mais científica, mas se tornou uma "metalinguagem" (méta-récit), uma explicação global da realidade, um ponto de vista religioso, pois pretende explicar as coisas que não estão sujeitas nem à observação nem à experimentação.


Conclusão:

A questão não é mais tanto "A ciência não sepultou a Bíblia?", mas muito mais "O homem quer realmente se submeter à Palavra de Deus?". A Bíblia descreve os personagens que rejeitam se submeter a Deus como aqueles que "não o glorificaram como Deus" [ver nota do tradutor]. Por isso os homens rejeitaram, a priori, a revelação que Deus nos deu de si mesmo, o que nos parece que a Bíblia não pode ser verdadeira. Dizer que a ciência sepultou a Bíblia é, logo, apenas uma justificativa, uma desculpa para realmente não considerar a possibilidade de que a mensagem da Bíblia possa ser verdadeira.

[Link para o texto em francês, no site Question Suivante: http://www.questionsuivante.fr/science_et_christianisme-10.html]

*No texto traduzido o autor cita "n'ont pas jugé bon de reconnaître Dieu". Como não encontrei na Bíblia a expressão citada exatamente, achei que se pudesse tratar de um trecho da Epístola Aos Romanos 1:21, no qual se diz de pessoas que obstinadamente rejeitaram glorificar a Deus. [N.T.]

sábado, 1 de novembro de 2008

Erros e racionalidade - Ciência, Naturalismo e Evolucionismo

Idéia errada é pensar que a ciência é onipotente. Ela é incapaz de provar muitas coisas, que, ao acreditarmos, somos racionais. Como argumentou o filósofo cristão Dr. William Lane Craig em um debate com o cientista ateu Dr. Peter Atkins, a ciência não pode provar verdades lógicas e matemáticas, porque seria petição de princípio; verdades metafísicas, tais quais "existem outras mentes além da minha", "o mundo exterior a mim é real", "o universo foi criado há mais de cinco minutos", etc; juízos de valor, certo e errado, bom e mau, Hitler fez coisas horríveis; juízos estéticos, como belo e feio; e a própria ciência, pois está permeada de suposições, como a base da teoria da relatividade. "Toda a teoria", diz Craig, "depende da suposição de que a velocidade da luz é uma constante, em uma direção, entre quaisquer dois pontos A e B. Mas estritamente, isso não pode ser provado; nós simplesmente temos de admitir isso, a fim de manter a teoria."

Há diversas coisas que a ciência não pode provar. Então, dizer que algo não é verdadeiro simplesmente porque não foi provado cientificamente é um grande erro.

Outro erro, e esse gravíssimo, é pensar que a crença em Deus é algo totalmente irracional, ligado tão somente a sentimentos e a um querer acreditar em algo. O filósofo cristão norte-americano Alvin Plantinga, em artigo denominado, em português, "O argumento evolucionista contra o naturalismo", mostra a incompatibilidade entre as duas correntes presentes no título e ainda evidencia que acreditar no naturalismo é irracional, porque ele oferece um elemento invalidador da confiabilidade em toda e qualquer crença humana.

Basicamente, o evolucionismo fala de Seleção Natural. Comportamento adaptativo, sobrevivência, reprodução são as tônicas da Seleção. O evolucionismo não fala nada sobre a veracidade ou falsidade de crenças, de modo a não importar se a crença é falsa ou verdadeira. O importante é o comportamento adaptativo voltado para a sobrevivência e perpetuação da espécie.

O naturalismo, por sua vez, diz não haver um Deus Criador, tendo tudo surgido, se surgiu, ao acaso, sempre aleatoriamente.

Um ponto-chave para a compreensão é: nós que acreditamos em Deus, sabemos que Deus nos deu capacidades cognitivas, como percepção, memória e razão, a fim de podermos encontrar certos pensamentos verdadeiros. Por exemplo, pela razão eu entendo que 2+2 = 4. A minha razão vai dizer que é falso 2+2 = 19. Portanto, a minha razão me proporciona encontrar certos pensamentos verdadeiros.

Para o evolucionismo, se a crença é verdadeira, bem, se falsa, bem também. O importante é o comportamento adaptativo. O naturalismo diz que não há Deus. Logo, por esta corrente, não fomos criados por uma Pessoa que nos deu capacidades cognitivas visando encontrássemos certos pensamentos verdadeiros. Darwin teve uma grande dúvida: se um macaco raciocinasse, como confiar em suas conclusões?

Se, como crê o naturalismo, não fomos criados e não recebemos cognição a certo ponto confiável, resta que as nossas crenças, todas elas, tem 50% de serem verdadeiras e 50% de serem falsas, número insuficiente para a confiabilidade. Assim, não há, pelo naturalismo, como crer racionalmente em alguma coisa, porque eu não tenho nem 1% a mais de chance de estar certo em minha crença. Racional seria, nesta ótica, duvidar de tudo, isto é, ser agnóstico. Contudo a razão está sendo posta em xeque, de maneira que eu acreditar que a melhor opção, a mais racional, é ser agnóstico também não é confiável, porque é crença.

Indo além, o naturalismo oferece um elemento para se duvidar do próprio naturalismo. Ele é auto-refutante. Fala contra si próprio. Porque o naturalismo é uma crença - encare aqui a palavra "crença", não no sentido religioso, mas no fruto da conclusão do raciocínio. Sendo o naturalismo uma crença, e ele próprio oferecendo a dúvida para todas as crenças, o naturalista tem firmes motivos para abandonar o naturalismo, porque não há, por esta visão, como acreditar em nada. Ser naturalista e, portanto, ateu é irracional.

É possível ser evolucionista e crer em um Criador, porque, pela lógica, Deus pode ter criado as coisas com a propriedade de evoluir e ter deixado a criação andar com as próprias pernas. Não admito tal visão; é anti-bíblica; é falsa; mas dentro da lógica evolucionista é coerente. Assim esse Criador da evolução poderia ter colocado no ser humano faculdades cognitivas confiáveis. O naturalismo, contudo, rejeita totalmente a existência de Deus e, portanto, que o Criador nos deu faculdades cognitivas confiáveis. Logo, se não posso confiar em minha razão para nada, é inútil raciocinar acerca do assunto que for, visto que o raciocínio é produto da razão e, sempre, o seu final é uma crença.

Parece-me que o naturalismo propõe, por inferências, que abandonemos a razão e sejamos como animais irracionais.

Por finalização, quero dizer que Plantinga termina o seu artigo "Evolução versus naturalismo" desta forma:

"A conclusão óbvia, como assim me parece, é que o naturalismo evolucionista não pode sensatamente ser aceito. Os altos sacerdotes do naturalismo evolucionista proclamam em altas vozes que o cristianismo e mesmo a crença teísta está falida e que é ridícula. O fato, entretanto, é que a mesa virou. É o naturalismo evolucionista, e não a crença cristã, que não pode ser racionalmente aceito." [trecho retirado do blog Apologia - www.apologia.com.br]


(Rouver Júnior)

PS: O vídeo do debate de Craig e Atkins pode ser encontrado no blog Apologia - www.apologia.com.br - ou no link http://www.youtube.com/watch?v=0_TLzIR2ptM